terça-feira, 2 de junho de 2009

Capítulo IV: Hora de Ir

- Falta mais uma coisa. – Disse Seth.
- O que?
- Vocês terão de me tocar.
- Só isso?
- Não se superestime Lufus.
- Podemos começar?
- Quando quiserem.
Lufus se lança extremamente rápido ao encontro de Seth, enquanto Jasira se manteve parada, desconfiada. Confiante de que já tinha conseguido, Lufus estende a mão e só encontra ar.
- Mas o que...
Olhando para cima, Lufus vê Seth no alto sorrindo para ele.
- Terão de ser mais do que rápidos para me pegar!
- Mas você voa. – Reclama Jasira.
- Quero ver se vocês também voam, essa é a última parte do treinamento.
Jasira salta, sobe alto, uns cinco metros do chão, mas não chega nem perto de Seth, este nem se preocupou com a investida.
- Droga. – Diz Jasira ao cair no chão.
- Minha vez!
Após se distanciar um pouco, Lufus corre para pular, salta tão alto quanto Jasira, ou seja, não o suficiente.
- Tenho asas pra que! – Lufus pareceu impressionado com as próprias palavras. – Isso! Minhas asas.
Totalmente descoordenado, Lufus mexe suas asas, tenta se concentrar em controlá-las. Tem muita dificuldade, olha para a sua mão e começa a movimentá-la em comparação. Logo vê que não é tão complicado, enfim consegue movê-la perfeitamente.
- Vão desistir tão rápido? – Seth pergunta lá de cima.
- Você vai ver!
Agachado, Lufus pega um impulso para o salto, assim que sobe bate as asas lentamente. Vai pegando altitude, porém sem muita velocidade. Seth não foge quando Lufus chega perto, só espera que este o toque. Como tocou.
- Muito bem, você conseguiu.
- Você duvidou?
- Pare de bater as asas.
Lufus começou a cair ao parar, voltou a batê-las para continuar voando.
- Não dá.
- Dá sim, você só precisa desenvolver seu vôo.
- Pelo menos consegui te pegar.
- É, agora é a vez da Jasira. Jasira?
Seth procura, mas não vê mais a Sucubus lá embaixo.
- Peguei! – Jasira diz isso atrás de Seth, ao passar os braços por baixo dos dele e o segurar.
- Muito bom, me pegou de surpresa. Agora vamos descer.
Lufus simplesmente para de bater suas asas e cai de pé tranquilamente.
- Lufus, se você conseguir voar sem usar as asas vai ser mais rápido.
- Então pra que elas servem?
- Esticando-as enquanto voa, você terá mais precisão e velocidade, mas não precisa delas para voar. Eu não tenho asas e vôo.
- Vou tentando.
- Seus treinamentos já acabaram, agora venham!
Todos voltaram para dentro da casa.

***

Seth se sentou na poltrona e cada um dos outros foi para uma cadeira.
- Sei que estão cansados com o treinamento.
- Sim, eu estou com fome. – Diz Lufus.
- Claro que está, vocês não comeram desde que nasceram.
- Nossa.
- Mas não há comida para vocês aqui, até porque nós não nos alimentamos de comida.
- Já imaginei. – Diz Jasira.
- Pode comer o que quiser se achar o gosto bom, mas não vai te alimentar.
- O que vai? – Lufus ficava cada vez mais intrigado.
- Almas.
- Almas? E como conseguimos? – Ele gostou da idéia.
- Com humanos, vocês conseguem os matando, ou se eles te entregarem de bom grado. O que para as suas raças não é nada difícil.
- Há humanos por aqui?
- Não, mas um demônio pode dar um pouco de alma que tenha pegado a outro demônio.
- Prefiro pegar de humanos. – Jasira dizia entediada.
- Obviamente, é o seu instinto. Para encontrar com um, tem que ir até o plano deles.
- Onde fica? – Pergunta Lufus.
- Fica logo acima daqui. Para chegar vocês podem pegar um portal.
- Como chego num?
- Eles estão por toda as trevas, é só você olhar no horizonte, são estátuas gigantescas que podem ser vistas de longe.
Lufus já estava levantando.
- Espere, antes vocês precisam conhecer algumas coisas do mundo deles.
- Mundo? – Pergunta o Incubus.
- O mundo é o mesmo que o nosso, mas é comum usarmos esse termo.
- Então fale o que precisamos saber.
- Eles podem vê-los perfeitamente, mas se os manipularem bem, nem precisam se metamorfosear, porque eles acabam nem percebendo suas asas, garras e tudo mais. Uma boa vantagem de suas raças, serem parecidos com humanos.
- Mas se perceberem, é só matá-los e pegar suas almas. – Diz Lufus satisfeito.
- Sim, mas ainda há outra coisa.
- O que?
- Guardiões.
- Ahn?
- São humanos que sabem de nossa existência, estão armados e são treinados para defenderem as pessoas contra nós.
- Pelo menos são só humanos.
- Mas muitos são bons, vocês são inexperientes ainda, não é bom se confrontarem com eles.
- E como reconhecemos um?
- Não sei, tenham cuidado. Mas há poucos deles, e não têm poderes como nós.
- Vou ser discreta. – Diz Jasira.
- Vou olhá-los daqui, qualquer coisa que quiserem saber sobre lá, é só perguntarem quando voltarem.
Seth desenhou um círculo na mesa, o miolo dele ficou preto.
- O que é isso? – Pergunta Lufus.
- Vocês não podem ver nada aqui, porque esse poder não podem ter.
- É um poder de Lorde?
- Não, a raça de vocês não desenvolve o poder da Visão. Isso me permite usar algum objeto para ver qualquer lugar.
- Falando nisso, sabe de que casta somos?
- Pela quantidade de poderes, incluindo vôo, me parece que ambos são Duques, isso é bom, acima de vocês só há General e Lorde.
- E como subimos de casta?
- Terão de aumentar seus poderes.
- Vamos indo, que estou fraco.
- Não precisam de muito, a fome os deixam fracos, mas uma pessoa já tem alma suficiente para muito tempo.
- Certo.
- Podem ir.

***

Ao sair, Lufus agora percebe as estátuas gigantes de monstros, estão sobressaindo na névoa que se espalha por toda as trevas, há portais por toda a parte.
- Aquele ali, parece o mais perto. – Jasira diz apontando para uma estátua que está na direção em que vieram.
- Também acho.
Os dois caminham até lá.