Joshua estava parado em frente a uma loja de música observando os instrumentos.
- Parecem bons. – Diz um homem.
Ao se virar Joshua se depara com Cian.
- E caros. – Responde Joshua.
- Pra que se preocupar com dinheiro? – Cian agora olhava para a vitrine.
- Dinheiro não cai do céu. – Joshua fitava-o enquanto Cian nem movia os olhos.
- Nada cai. – Retruca Cian.
- Cai sim, e vai cair água ainda hoje, olhe o tempo.
Cian riu e voltou a olhar para Joshua.
- Suas piadinhas melhoraram.
- Descobri que posso ser mais light.
- Quem sabe você não amadurece um dia.
- Você e sua ironia.
Cian ri novamente.
- Nunca tive esse tipo de humor.
- Pior pra você.
- E qual a causa dessa sua mudança Joshua?
- Eu tenho que ser legal, afinal sou um mocinho.
- É?
- Sou! Eu elimino os bandidos.
- Quer compará-los a bandidos é? Retiro o que eu disse, você é o mesmo.
- Demônios são bandidos sim, e eu tenho todos os atributos de um mocinho.
- Você assiste mais filmes do que deveria.
- Filme é arte.
- Desde que consiga distingui-los da realidade.
- Meu conceito de realidade mudou muito.
- Viva o seu filme então. – Cian volta sua atenção para dentro da loja.
- Falta só uma donzela para o mocinho.
- Que tal a Morigan?
- É, eu dou uma chance para ela.
Cian solta uma gargalhada.
- Mas sabe como é, todos sabemos que o Dédalos arrasta uma asa pra ela. – Diz Joshua sorrindo.
- Arrasta duas. – Conclui Cian olhando o chapéu estranho que usava uma das atendentes do lugar.
- Eu queria uma mulher que fosse corajosa assim como ela.
- Aquilo é um chapéu de bobo da corte? – Cian apontava para o chapéu estranho.
- Não louca tipo ela, mas sei lá, ia ser difícil se relacionar com alguém que morresse de medo enquanto eu enfrentasse demônios. – Continua Joshua.
- Sim, aquilo é um chapéu de bobo da corte!
- Se bem que se eu gostasse dela dava para arranjar um jeito.
- Que legal! Eu queria ter um daqueles. – Cian estava mais que entusiasmado.
- Mas eu gostaria de dizer para ela o que eu faço, sabe?
- Onde será que ela conseguiu?
- Porque ia ficar chato eu sumir várias vezes e não ter uma explicação para dar.
- Vou lá perguntar. – Cian entra na loja e deixa Joshua falando sozinho.
- Ei cara, legal você hein!
Joshua olha para um grande relógio logo abaixo de uma propaganda de refrigerante.
- Melhor eu ir embora, logo estarei atrasado. – Joshua se dirige à pastelaria ao lado da loja.
***
Sentada no meio fio da calçada estava Morigan. Observava os carros e as pessoas enquanto tomava seu energético. Estava próxima ao centro da cidade e o movimento era grande, ela nem ligava para o barulho dos carros, estava acostumada.
Ela se levanta e joga para o lado a lata agora vazia, vê uma garotinha pegando a lata e colocando-a no lixo a poucos metros de Morigan. A criança olha para ela com reprovação, Morigan dá de ombros e sai.
Caminha olhando a rua e pensando. Pensava em como perdeu rápido a sua inocência, pensou em como ela afetava o mundo, pensava em porque o defendia. Passava diversas vezes por sua cabeça que ela não seria uma boa guardiã se pensasse desta maneira. Um guardião deve se dedicar de corpo e alma a defender as pessoas, sem hesitar.
Morigan nunca ligara muito para o mundo, era um pouco rebelde e egoísta. Sempre pensava que poderia ser o que quisesse, mas não queria ser nada, a indecisão desapareceu quando se tornou uma guardiã, viu que era o que ela queria, porém, agora ela se pergunta se devia continuar.
Ao passo que ela reflete muito em alguns momentos, na hora de agir é objetiva, não pensa muito, faz e pronto. Não sabe se é coragem ou talento, só sabe que é assim.
***
Dédalos estava quase chegando à faculdade, passava por um calçadão arborizado, via com freqüência pessoas correndo e passeando nele, só que hoje estava vazio.
- Está com pressa?
- O que?
Havia alguém escorado na parede à sombra de um belo arbusto, Dédalos não conseguiu ver quem era. Parecia só uma sombra, mal dava para ver sua silhueta.
- Se eu fosse você me preparava, vocês terão problemas em breve, problemas grandes.
- Do que você está falando? – Dédalos chega mais perto para ver o indivíduo.
- Não se aproxime! – A voz dele se tornou estranha.
Dédalos sentiu um grande arrepio na espinha.
- O que é você?
- Do que está falando? – A pessoa parecia debochar dele.
- Você é um demônio? – Dédalos sentia vontade de chegar mais perto e não conseguia.
- Está com medo? – A voz retornou ao normal.
- Vou...
Dédalos estava realmente com medo, queria atacar aquilo, tinha certeza que era um demônio, contudo não conseguia se mover. Não conseguia nem enfrentá-lo verbalmente, o medo não deixava.
- Vejo que não vou poder continuar, você está muito apavorado. Adeus.
Dédalos ouve uma risadinha que parece envolvê-lo, ela desaparece instantaneamente, e com ela a sombra também se foi.
Dédalos estava suando, ele não entendia o que aconteceu. Nunca teve tanto medo, já esteve cara a cara com outros demônios, alguns extremamente horripilantes. Esse ele nem se quer viu e se apavorou.
Mal conseguindo raciocinar, ele foi para a casa, não ia adiantar voltar à faculdade no estado em que se encontrava.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
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