Lufus ainda pensava no que acontecera enquanto estava entre os humanos, não percebeu que algo nas trevas estava diferente.
Jasira se aproxima dele.
- O que está acontecendo? – Pergunta.
- Com quem? – Ele responde sem olhá-la.
- Com todos.
- Hã?
- Olhe a sua volta, tem algo errado.
Lufus observa.
- Está mais cheio.
- Mais que isso, você não se sente inquieto? – Jasira parecia ansiosa.
- Estou, mas tenho um motivo.
- Qual?
Houve uma trovoada, uma trovoada contínua, o som era semelhante ao de algum instrumento metálico de sopro.
Todos, inclusive Lufus e Jasira ficaram paralisados.
- Mas que diabos, como pode haver trovões aqui? – Lufus perguntou.
- Acho que isso veio do outro plano.
- E ouviríamos daqui? – Ele diz incrédulo.
Escutou-se então um som de explosões e fogo, uma saraivada torrencial de fogo.
- Concordo, parece vir de lá. – Ele ficou confuso.
Houve outra trovoada, ainda mais longa. Um instante depois se ouviu um estrondo seguido de um barulho ensurdecedor de água fervendo.
Lufus agora entende o que Jasira queria dizer com inquietação, ele estava muito inquieto.
Foi um intervalo maior agora, porém antes que todos se acalmassem veio outra trovoada. Com vários sons semelhantes ao anterior, desta vez menores e em vários pontos distintos.
Jasira olha ao redor e todos os demônios parecem dopados e muito ansiosos.
Uma quarta trovoada surge, com uma rítmica diferente das anteriores, o som que vem a seguir é muito baixo e difícil de distinguir. O ambiente escurece.
E outra trovoada veio. Após um estampido a névoa que paira nas Trevas ficou bem mais densa.
Silêncio total nas Trevas, ninguém move um músculo sequer. Não há som algum e todos esperam por mais, todos pensam que haverá mais.
- Parece o roteiro de alguma profecia. – Fala Lufus após um longo tempo.
- Uma que eu conheço. – Reflete Jasira.
- Me é familiar também.
Após ambos quebrarem o silêncio alguns demônios começam a gritar, outros a rosnar, logo tudo se torna um inferno sonoro.
- Uma loucura coletiva? – Diz Jasira.
- Não, simplesmente caos.
Enfim veio a trovoada que os aquietou, tinha um tom de agonia e se dissipou num silvo.
A mais alta névoa das Trevas, aquela que pairava sob as cabeças dos demônios tomou o tom de sangue. Todas as criaturas estavam agora voltadas para cima.
Não demorou muito para que todos ficassem agitados, era um sentimento contagiante, não havia criatura que não estivesse a ponto de entrar em chamas.
- Meu corpo está pulsando! – Esbraveja Lufus.
Um gigantesco terremoto toma conta das Trevas, os demônios mal o percebem devido à agitação.
Então houve a trovoada, mais forte que todas as outras, a mais longa de todas, penetrou na mente de todos e voltou à atenção deles a um só lugar. O alto.
A névoa acima se abria e o que surgia era a imagem do outro plano, o mundo dos humanos, visto do chão. Havia uma fumaça tampando o céu e mal se podia ver o Sol, havia caos por lá, fogo, destroços, pessoas correndo, alguns demônios atacando, gritos e sangue.
Os demônios começam a voar em massa para lá.
- Vamos. – Jasira puxa o Incubus pelo braço.
Lufus olha para baixo enquanto voa e vê milhões de demônios voando com ele, outros milhares que não podem voar dirigem-se para os portais.
Ele atravessa para o mundo dos humanos e encontra uma guerra. Mais e mais demônios surgem atravessando o chão.
É o apocalipse.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
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