quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Capítulo XIV: Livre Arbítrio

Lufus se encontrava sozinho nas Trevas enquanto todos os outros demônios estavam no mundo dos humanos. Não queria subir, pensava consigo mesmo sobre o que faria. Uma sombra negra aparece em frente ao Incubus, era só uma silhueta como se a pele da criatura fosse feita de sombra.
- O que é você? – Pergunta Lufus.

***

Aquela parte da Terra era agora um grande campo de batalha. A cada instante um demônio ou anjo morria. Os anjos que vieram seguindo os cavaleiros trouxeram humanos consigo, eram guardiões. Todos usavam armas de fogo, em sua maioria pistolas ou fuzis. Eles eram bem corajosos, para não dizer loucos.

Michael e Raphael lutavam contra um anjo caído, desferiam golpes contra ele freneticamente.
- É assim que vocês tratam os amigos? – Diz Lúcifer.
Lúcifer é um demônio conhecido e temido por anjos e humanos. Ele é extremamente poderoso e há centenas de lendas sobre ele. O demônio já foi anjo um dia, e muitos anjos ali presentes conviveram com ele naquela época.
- Lhe damos o tratamento que você merece! – Diz Michael tentando dar uma estocada sem sucesso.

Havia um demônio que não lutava, permanecia parado observando, quando um anjo tentava ataca-lo ele o pulverizava com um movimento leve.
- Está procurando algo? – Diz um Incubus.
- Ora Caim, sabe que eu procuro diversão. – Disse o demônio sorrindo.
O demônio era Loki, um Incarna, a mais poderosa raça de demônios. Loki é o demônio mais respeitado e temido pelas Trevas. Ele tem um poder surpreendente, provavelmente maior que dos cavaleiros.
Loki observava os anjos à procura de adversário, olhava com grande interesse os Arcanjos.

Os Arcanjos estavam em batalhas intensas. Gabriel, Ituriel e Bahliel enfrentavam a Guerra, enquanto Uriel e Amitiel brigavam contra a Peste. A Morte estava sendo atacada por vários anjos e os dois Querubins, apesar do grande número de adversários, ela parecia não ter dificuldades.

Uma luz forte tomou conta das nuvens, 9 anjos desceram.
- Serafins! – Exclamou Raphael.
Os Serafins eram anjos majestosos. Tinham seis asas, três de cada lado. A aura de um Serafim era mais luminosa que a dos Arcanjos e sua auréola era uma bola luminosa.
Loki sorria enquanto os anjos desciam vagarosamente.
- Então eles vieram. – Disse o Incarna.
- Eles só viriam se achassem que a humanidade merecia. – Lembrou Caim.
- Pelo visto a humanidade ainda não está perdida. – Dizia Loki se divertindo.
Subitamente os 9 Serafins investiram contra a Peste. O cavaleiro não teve reflexo suficiente para aparar tantos golpes e foi esquartejado.
Nesse momento Loki investiu contra eles e vários demônios fizeram o mesmo.
***

- Sou um Incarna. – Disse a sombra para Lufus.
- E quem é você? – Perguntou o Incubus.
- Sou o senhor das Trevas.
- Você é o Satanás?
- Esse é um dos nomes que os humanos deram para o Lúcifer, ele que é conhecido como diabo, dono do inferno.
Lufus estava confuso.
- Eu não sou conhecido por quase nenhum humano, demônio ou anjo. Minha existência é uma incógnita.
- Você veio me punir? – Pergunta Lufus com uma pontada de medo.
- Pelo que?
- Por não estar lá em cima.
- Ora, se nem eu vou até lá, porque você teria de ir?
- E porque você não vai?
- Já fiz minha parte, o apocalipse.
- Você fez isso? – Lufus estava surpreso agora.
- Sim, prometi que faria anos atrás e essa seria uma promessa que eu cumpriria mais cedo ou mais tarde.
- Para falar a verdade eu não quero que o mundo acabe, gosto de lá. – Lufus se sentia cada vez mais a vontade em falar com a sombra.
- Nem eu quero que acabe, mas quem decide agora são vocês demônios. Se quiserem destruir tudo ou não, está na mão de todos vocês. Há ainda a chance dos humanos e anjos impedirem, foi por isso que avisei a eles também que um dia isto aconteceria.
- Não sei o que fazer. – Lamenta Lufus.
- Não venha choramingar, faça o que quiser.
- Eu deveria querer destruir tudo, sou um demônio.
- Um demônio não precisa ser necessariamente mal meu jovem, assim como um anjo não precisa ser bom. É só a natureza das raças, ninguém precisa segui-la, cada um é diferente. – Explica o Incarna.
Lufus olha para o campo de batalha acima e reflete um pouco. Quando olha novamente para sombra percebe um sorriso em meio à escuridão da face, em seguida a sombra some instantaneamente.