terça-feira, 26 de maio de 2009

Capítulo III: Diálogos D’Outro Lado

A sala era clara, tinha um tom amarelo claro que aumentava a luminosidade. Havia alguns quadros nas paredes com imagens de paisagens limpas. O chão era um tatame, qualquer um diria que era uma academia de artes marciais, era esse o disfarce.
Um homem de kimono estava sentado no chão de pernas cruzadas, um jovem senta a sua frente.
- Acho que está na hora. – Diz o jovem.
- Hora? – pergunta o velho
- Já posso usar uma arma.
- Sim, claro! Você passou um bom tempo lutando de mãos limpas. Você teve paciência Dédalos.
- Obrigado.
O homem se levanta e abre uma porta corrida que era a parede dos fundos.
- Entre.

O lugar que fora revelado era quase do tamanho da outra sala, porém estava forrado de armas de todos os tipos.
- Como conseguiu esse arsenal senhor Cian?
- Tive ajuda governamental. – Cian tinha um sorriso de orelha a orelha.
- Nem sei o que pegar.
- Prefere que tipo de armas?
- Gosto de armas de fogo.
- Armas de longa distância como as de fogo são boas, mas os demônios têm muito reflexo e são extremamente ágeis, não é fácil acertá-los.
- Eu sei.
- Por outro lado armas de curta distância te deixam mais perto deles, o que é um risco.
- Risco se corre de qualquer jeito. Vou pegar dos dois tipos.
- Tudo bem, não esqueça de pegar munição.
- Vou ficar com essa pistola e esse facão.
- Sempre que precisar de munição pode vir aqui.
- Certo.
Os dois saem e Cian fecha a porta. Em seguida senta no chão novamente.

- Estão aparecendo mais demônios ultimamente. – Diz Dédalos.
- É o que estão me dizendo.
- O que será que está havendo?
- Não sei, mas coisa boa não é.
- Ultimamente nós temos que sair toda a noite para vasculhar, às vezes temos problemas até de dia.
- Acho bom vocês andarem mais juntos.
- Mas vamos cobrir uma área menor.
- Fiquem pertos pelo menos.
- Tive a impressão de ver uma besta ontem.
- Acredite, se tivesse visto não se esqueceria.
- Demônios são demônios, seja qual for sua raça.
- Bestas costumam ser mais fortes que as outras, e ainda existem os Incarnas.
- Incarnas?
- É uma raça muito poderosa, não sei se há outro além de Satã.
- Nossa!
- Ainda bem que nenhum Lorde aparece por essa região, senão estaríamos em maus lençóis.
- Você já viu algum Lorde?
- Eu vi tantos demônios quanto você, eu ensino, guio e ajudo os guardiões, nunca fui um.
- Entendo.
- Talvez ainda não tivesse vivo se fosse um.
Dédalos olha para o nada pensativo.
- Essa vida é perigosa meu jovem, mas você anda se saindo bem.
- Obrigado.
- Acho que algo ruim está por vir, e olha que não sou de ter pressentimentos.
- Espero que você esteja errado.
- Eu também.
- Não é bom recrutar mais alguém?
- Não é fácil encontrar uma pessoa apta para ser um guardião.
- Se eu pude ser, qualquer um pode.
- Não se subestime, já disse que você se sai muito bem.
- Mas antes de ser um guardião eu era um zero à esquerda.
- Você sabe que não. Está com medo?
- Não é isso.
- É normal sentir medo, isso te faz humano.
- E pode me atrapalhar.
- Olhe, ter três guardiões numa região já é um número alto. Soube de lugares que se viram com um só.
- Se continuar a aparecer tantos demônios, esses caras não vão agüentar sozinhos.
- É incomum demônios andarem em grupo, são seres solitários.
- Eu já enfrentei dois de uma vez.
- Eu disse incomum, não impossível.
- O problema é que eles são imprevisíveis, não dá para se guiar nessas teorias, creio que não dá para conhecê-los.
- Uma teoria é certa, eles têm individualidade, cada um é cada um, assim como nós.
- Não gosto quando os compara com humanos.
- As semelhanças existem, não dá para negar.
- Dá, são muito diferentes de nós.
- Alguns podem até se passar por humanos.
- Maldita metamorfose!
- É por isso que eu sempre digo para tomarem cuidado, os demônios não são confiáveis, eles mentem, enganam, traem, manipulam mais do que qualquer humano.
- Nunca confiaria em um.
- Melhor assim, muitas vezes eles parecem bem convincentes, sempre desconfie de humanos assim.
- Eu nunca encontrei um demônio disfarçado.
- Talvez não tenha percebido.
- Talvez.
- Você parece bem cansado rapaz.
- E estou. Mas não é cansaço físico.
- O que é pior ainda. Vá, descanse um pouco hoje. A vida de um guardião é muito dura.
- Obrigado.
Dédalos sai da sala. Cian volta a ficar sozinho, numa espécie de meditação.
- Você ainda vai ter muitos problemas.
Cian fecha os olhos.

Um comentário: